Projeto de lei pretende incluir Condessa do Rio Novo no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

Autor do PL, deputado Celso Jacob (MDB-RJ) defende a inclusão de Mariana Claudina como forma de reconhecer contribuição da condessa para a história de Três Rios (RJ) e do Brasil

Condessa do Rio Novo em Londres (Acervo Maria Aparecida Bravo Xavier in “Pioneiros dos três rios – A Condessa do Rio Novo e sua gente” de Cinara Jorge)

Século 19. Época em que as mulheres tinham pouco ou quase nenhuma liberdade para além das atribuições domésticas. Uma mulher, no entanto, desafiou as tradições da época e fez história. Seu nome: Mariana Claudina Barroso Pereira/Mariana Claudina Pereira de Carvalho, a Condessa do Rio Novo. Um projeto de lei do deputado Celso Jacob (MDB-RJ), protocolado nesta terça-feira (19/5), na Câmara dos Deputados, pretende incluí-la no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O objetivo é reconhecer a contribuição da condessa para a história de Três Rios (RJ) e do Brasil.

Filha de proprietários de grandes fazendas produtores de café na região, Claudina se casou com o primo, José Antônio Pereira de Carvalho, o barão e depois visconde do Rio Novo. A condessa foi responsável pelo sucesso de grandes empreendimentos na região, como a estrada União e Indústria e, mais tarde, a Ferrovia Dom Pedro II.

Após perder os pais e o marido, Mariana Claudina passou a cuidar sozinha de propriedades e negócios da família. Foi nessa época que o lado assistencialista da Condessa ganhou evidência. Caridosa, Claudina fez vultosas doações à Casa de Caridade de Paraíba do Sul, entidade que se destinava ao abrigo de meninas órfãs. Depois, foi responsável por alforriar centenas de escravos antes mesmo da assinatura da Lei Áurea, em 1888. Preocupada com as condições de vida dos alforriados, deixou a eles em testamento a fazenda Cantagalo, onde hoje existe a cidade de Três Rios (RJ).

Após descobrir um cisto no ovário, a Condessa se mudou para Londres em busca de tratamento, visto que inexistia no Brasil. No entanto, faleceu após não resistir a uma cirurgia, no dia 5 de junho de 1882. Apesar das boas condições financeiras, seu funeral foi marcado pela simplicidade, marca da Condessa em vida. Seu testamento ganhou grande repercussão na imprensa por ter deixado aos ex-escravos o principal dos seus bens. Em função disso, clubes abolicionistas encomendaram uma tela com sua figura, como forma de preservar sua memória e prestar uma homenagem à Condessa.

“Sobressaem na leitura do testamento o digno ser humano que era a Condessa do Rio Novo: a grandeza do seu coração, quando alforria os escravos e a eles destina o maior de seus bens; e a simplicidade do que pede para si: missas, orações, funeral simples e descanso de seus restos mortais em túmulo na Capela de Nossa Senhora da Piedade, situada na fazenda Cantagalo, junto do túmulo dos pais e do marido”, declara Celso Jacob.

O projeto de lei do parlamentar, protocolado nesta terça-feira (19/6) na Câmara, pretende incluir a Condessa do Rio Novo no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, um memorial cívico fúnebre destinado a homenagear nomes que contribuíram para o engrandecimento da nação brasileira. O memorial conta com nomes como Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Santos Dumont, dentre outros. Com a transformação do projeto em lei, contará também com o nome de Mariana Claudina Barroso Pereira, a Condessa do Rio Novo.

“A Condessa é dona de uma trajetória honrada, elencada em grandiosas atitudes em prol da sua Nação. Durante grande parte da história fluminense, soube ser, na verdadeira acepção da palavra, uma verdadeira heroína. Por isso, merece ter mais essa homenagem prestada”, finaliza Jacob.

Relacionados