“A sociedade tem que participar para a educação mudar”, afirma o deputado Celso Jacob em entrevista a programa de televisão

Deputado Celso Jacob vem se destacando na mídia nacional
Deputado Celso Jacob vem se destacando na mídia nacional

Em entrevista ao programa “Brasil em Debate”, pela TV Câmara na última sexta-feira (18), o deputado federal Celso Jacob (PMDB-RJ) foi um dos convidados para debater o tema “Os Oligopólios da Educação”. Outro deputado convidado foi Izalci (PSDB-DF). Em apenas oito meses de mandato, Celso Jacob vem ganhando forte desta que no cenário político, principalmente quando o tema é educação.

O programa foi pautado em cima da audiência pública do dia 10 de outubro, que discutiu a fusão entre as Empresas Kroton Educacional do Grupo Pitágoras, e Anhanguera Educacional, e seu impacto na qualidade do Ensino Brasileiro. A fusão dessas duas entidades, que está sujeita ainda ao CADE, poderá criar o maior grupo educacional do mundo, uma empresa com 12 bilhões de Reais em capital aberto.

Preocupado com a fiscalização dessas ações de fusão, o deputado Celso Jacob voltou a afirmar que “não está contra ao aspecto econômico, estamos a favor da qualidade da educação” disse. A preocupação com a qualidade do ensino superior oferecido é uma das grandes preocupações do deputado:

– O Brasil está buscando ainda a melhor qualidade na educação. Ainda estamos muito aquém.  Você não pode comercializar educação sem precedentes. A gente tem que buscar o equilíbrio da qualidade e da fiscalização, do MEC, da Comissão da Educação, tanto da Câmara, quanto do Senado, isso seja mais eficiente.  A gente não está querendo inibir negócio nenhum, a gente está querendo garantir a qualidade da educação – explicou Celso Jacob durante o programa.

O deputado exemplificou casos em que a fiscalização sobre a qualidade do ensino superior é deficiente. “A visita do MEC está lá, tem lá doutores e mestres, acabou a visita, demitem esse pessoal e colocam pessoas não tão qualificadas assim, para reduzir custo. Isso tem que ser fiscalizado, isso não pode deixar acontecer” disse.

O deputado afirma que o avanço na fiscalização é essencial para o país avançar.  Entretanto, lembra que já houve alguns avanços na área do ensino superior no Brasil:

– Tem alguns mecanismos, como esse, que tem que avançar. Em compensação tem muita coisa que avançou, como o acesso ao ensino superior. Muita gente da classe D, classe E, está conseguindo ter acesso ao ensino superior. Isso é uma vitória. Mas vamos voltar o nosso foco para a qualidade do ensino, que ainda é muito ruim no Brasil. A avaliação, o acompanhamento, é deficitário, no sentido de controlar isso – afirmou Celso Jacob.

Durante o debate, Celso Jacob lembrou que o problema na educação do país vem das etapas anteriores. “O nosso ensino médio é muito desmotivador porque as pessoas estudam sem um objetivo. Muita gente para no meio do ensino médio por falta de motivação” Ele lembra que a Comissão de Educação já está estudando a Reforma do Ensino Médio, tornando-o mais atrativo, mais voltado para o mercado de trabalho, para a condição do mundo atual. “O ensino médio tem que ser motivador, tem que aproximar o mercado de trabalho” explicou.

O deputado federal e professor por formação, Celso Jacob, faz uma breve avaliação do quadro geral do ensino no país:

– O que acontece no Brasil hoje: nos primeiros seguimentos, ensino básico e médio, ele é fraco na rede pública e muito forte na privada. Quando chega no ensino superior, isso se inverte. Porque os melhores alunos, que podem pagar vão para o ensino particular e recebem uma estrutura boa desde a sua base. Então quando chega no vestibular, ele compete com muito mais força. E o aluno do ensino público, que as vezes vem mal preparado, ele chega no vestibular ele só tem uma alternativa, buscar o ensino particular. Aí fica esse desnível – explicou.

Sobre o tema remuneração, que foi alvo de protestos no mês e é uma questão delicada, discutida há anos, Celso Jacob foi enfático: “O professor é mal pago? Isso é uma grande verdade. Mas não é só isso que vai transformar o país. A educação se faz ao longo de anos. Você implanta um sistema hoje e vai colher frutos daqui a cinco, 10, 15 anos. Nós estamos atrasados. O professor tem que ser bem pago sim, mas tem que ter muita coisa a mais. Nós temos que valorizar o professor não só de fala, mas de sentimento, de postura. O pai e a mãe, a família, tem que estar próximos do professor. Eu fui prefeito de Três Rios e fiz algumas modificações radicais na educação lá que está se colhendo frutos hoje”.

Finalizando, Celso Jacob afirmou que os professores devem ainda receber treinamento e ter compromissos também e cobrou um envolvimento maior da sociedade em prol da melhora do ensino no país. “A sociedade tem que participar para a educação mudar”, finalizou.

Relacionados